A evolução dos desembolsos do BNDES: 1990-2017

A evolução dos desembolsos do BNDES: 1990-2017

09/05/2018

O Observatório de Política Fiscal divulga a série histórica dos desembolsos do BNDES desde 1990, o que dá uma perspectiva de longo prazo para o debate e permite uma comparação dos vários ciclos políticos desde então.

O Gráfico a seguir apresenta os desembolsos do BNDES em percentual do PIB com as linhas em negrito mostrando a média por ciclo político. Vamos a alguns fatos estatísticos:

  1. Existe uma tendência de crescimento dos desembolsos do BNDES desde o início da série. Esse crescimento foi interrompido a partir de 2014.
  2. É comum observar ciclo político: o desembolso cresceu em 1994, em 1997 e 1998, em 2002, depois em 2009-10 misturada com a política contra cíclica. Em 2014 o desembolso cai, mas de um patamar elevado e afetado pela redução da demanda por crédito decorrente da desaceleração.
  3. Não há diferença substantiva de desembolso médio entre os períodos 1999-2002 e 2003-2006.
  4. Ocorre uma primeira desalavancagem em 2011, mas ao desconsiderarmos o impulso extraordinário em 2009-10, os desembolso continuaram subindo até 2013.
  5. A desalavancagem a partir de 2014 é substantiva de modo que em 2017 o desembolso em percentual do PIB atingiu o nível de 1996.

Desembolsos do BNDES (% do PIB)

Existem vários fatores que explicam essa desalavancagem: a recessão econômica que reduz a demanda por crédito, a operação lava jato que afetou a capacidade de crédito de algumas construtoras importantes sem que esse espaço tenha sido ocupado por outras, problemas recentes com órgãos de controle que aumentam a insegurança jurídica dos padrões adotados pelo Banco, visões de mundo diferentes sobre o seu papel e as várias reestruturações dos últimos dois anos.

Uma controvérsia particularmente interessante diz respeito ao que o Banco deve fazer. Entre a política de financiamento para grandes empresas que tornou o banco grande e a visão de que o banco deve atuar para corrigir as falhas de mercado o que o tornará bem menor (tal como agora) existe um amplo gradiente de opções, mas o debate deveria se concentrar em entender quais as reais necessidades do país e avaliar as várias políticas implementadas para focar no que traz mais resultado.

De todo o modo, o fato é que o mais urgente não está no debate: diante de todas essas dificuldades, como fazer o banco voltar a funcionar bem? Nenhuma dessas opções teóricas a serem discutidas no debate vai ser bem sucedida se essa questão não for resolvida. A equipe que assumiu recentemente o BNDES tem um belo desafio pela frente.

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