Gasto público acelerou no 3º trimestre de 2025, mas impulso sobre o PIB deve ter sido neutro em 2025 como um todo

Gasto público acelerou no 3º trimestre de 2025, mas impulso sobre o PIB deve ter sido neutro em 2025 como um todo

21/01/2026

O Tesouro Nacional publicou no dia 30 de dezembro o boletim “Estatísticas Fiscais do Governo Geral”, com informações até o 3º trimestre de 2025. A partir desses dados brutos, a equipe do Observatório de Política Fiscal do FGV IBRE realiza alguns tratamentos (R$ constantes e ajuste sazonal), de modo a facilitar a análise da evolução dos gastos públicos para os três níveis de governo. Essas séries podem ser acessadas aqui.

Os números mais recentes apontam que os gastos do Governo Central Orçamentário (conceito que exclui algumas despesas da União que, na verdade, são transferências para os governos regionais, como o FCDF e o Fundeb, dentre algumas outras) subiram fortemente no 3º trimestre do ano passado, após terem se elevado moderadamente no trimestre imediatamente anterior. Já no caso dos governos regionais como um todo, também houve uma alta no 3º trimestre, interrompendo uma sequência de recuos observada entre o 3º trimestre de 2024 e o 2º de 2025.

As figuras a seguir apresentam a evolução dos gastos segmentados em quatro grandes grupos. 

Como pode ser notado, a forte expansão dos gastos do governo central decorreu em boa medida da elevação das “outras despesas” (provavelmente refletindo o pagamento de precatórios) e das despesas com benefícios previdenciários. Já no caso dos governos regionais, foram observadas elevações em todas as aberturas, com exceção dos investimentos.

A figura a seguir desagrega os gastos regionais entre estados e municípios.

Como pode ser notado, houve expansão em ambos no 3º trimestre. 

A despeito dessa aceleração do gasto do governo geral no penúltimo trimestre do ano passado, nos quatro trimestres encerrados em setembro de 2025 o impulso sobre a demanda agregada oriundo do gasto público foi levemente contracionista, após ter sido altamente expansionista em 2022-24 (ver figura abaixo). Se nos anos anteriores esse impulso de gasto parece ter sido crucial para explicar o forte e surpreendente crescimento do PIB brasileiro, isso não se repetiu em 2025, ano em que o crescimento da economia brasileira deve ter sido de cerca de 2,3%, pouco acima dos 2% esperados no final de 2024. 

Por fim, é importante apontar que: i) o impulso fiscal do gasto pode ter efeitos defasados sobre o PIB, de modo que a comparação contemporânea entre esse impulso e o PIB, feita na figura acima, não é totalmente adequada para avaliar os impactos da execução dos gastos públicos sobre a dinâmica do PIB; e ii) a política fiscal também impacta o PIB por outros canais, como taxação e mesmo via efeitos da percepção de solvência fiscal sobre risco, juros longos e taxa de câmbio, os quais não estão considerados na análise acima.

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