Impulso fiscal do gasto foi levemente contracionista em 2025, tanto na União como no agregado dos governos regionais
O Tesouro Nacional publicou no dia 31 de março o boletim “Estatísticas Fiscais do Governo Geral”, com informações até o 4º trimestre de 2025. A partir desses dados brutos, a equipe do Observatório de Política Fiscal do FGV IBRE realiza alguns tratamentos (R$ constantes e ajuste sazonal), de modo a facilitar a análise da evolução dos gastos públicos para os três níveis de governo. Essas séries podem ser acessadas aqui.
Os números mais recentes apontam que os gastos do Governo Central Orçamentário (conceito que exclui algumas despesas da União que, na verdade, são transferências para os governos regionais, como o FCDF e o Fundeb, dentre algumas outras) recuaram no 4º trimestre do ano passado, após terem se elevado moderadamente no trimestre imediatamente anterior. Já no caso dos governos regionais como um todo, houve uma elevação na margem, pelo segundo trimestre consecutivo.

No caso dos governos regionais, essa alta possivelmente já reflete o impacto do ciclo político-eleitoral, como aponta a figura a seguir.

A despeito dessa aceleração do gasto do governo geral no final do ano passado, no acumulado de 2025 o impulso sobre a demanda agregada oriundo do gasto público foi levemente contracionista, após ter sido altamente expansionista em 2022-24 (ver figura abaixo). Se nos anos anteriores esse impulso de gasto parece ter sido crucial para explicar o forte e surpreendente crescimento do PIB brasileiro, isso não se repetiu em 2025, ano em que o crescimento da economia brasileira foi de 2,3%, pouco acima dos 2% esperados no final de 2024. Vale notar que, excluindo a Agropecuária, o crescimento do PIB brasileiro no ano passado foi de 1,7%, a menor taxa desde 2019 (1,3%), excetuando 2020 (-3,6%).

Convém assinalar que: i) o impulso fiscal do gasto pode ter efeitos defasados sobre o PIB, de modo que a comparação contemporânea entre esse impulso e o PIB, feita na figura acima, não é totalmente adequada para avaliar os impactos da execução dos gastos públicos sobre a dinâmica do PIB; e ii) a política fiscal também impacta o PIB por outros canais, como taxação e mesmo via efeitos da percepção de solvência fiscal sobre risco, juros longos e taxa de câmbio, os quais não estão considerados na análise acima.
Por fim, as figuras a seguir apresentam a evolução, desde 2010, dos gastos do Governo Central Orçamentário e do agregado dos governos regionais.


Como pode ser notado, no caso do governo central, boa parte da pressão de alta está nos gastos previdenciários e com benefícios assistenciais. As demais rubricas estão ou relativamente estáveis ou subiram moderadamente nos últimos anos. Já no caso dos governos regionais, praticamente todas as despesas primárias sofreram forte elevação desde 2018, refletindo o fenômeno da “descentralização silenciosa”, que foi alvo de diversas análises nas Cartas do IBRE nos últimos anos.





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